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Compras e contabilidade em foco na CPI da Procempa

O sindicalista e vereador Clàudio Janta integrou mais uma reunião da CPI da Procempa nesta quarta-feira (13/11). Com a participação de dois dos quatro depoentes previstos, as oitivas apuraram novos fatos sobre irregularidades na companhia.

CPI da Procempa
O sindicalista e vereador Clàudio Janta integrou mais uma reunião da CPI da Procempa nesta quarta-feira (13/11). Com a participação de dois dos quatro depoentes previstos, as oitivas apuraram novos fatos sobre irregularidades na companhia.

A primeira a depor foi a funcionária Clarisse Rosi Lemos da Costa, integrante da companhia desde 1985, responsável pela área de Licitação e Contratos desde 2005. A depoente relatou que a partir deste período, começou a participar dos trâmites de compras, que envolviam requisições de vários setores da companhia.

As demandas eram autorizadas pela supervisão e gerência, para posterior pesquisa de mercado e encaminhamento aos setores financeiro e administrativo, que autorizavam as despesa, reenviando a solicitação para a área de compras, que dava início ao processo licitatório ou de dispensa, para despesas até R$ 16 mil. Sobre os eventos promovidos pela Procempa, a funcionária relatou que a contratação dos serviços era sempre fracionada, com dispensa de licitação.

Tudo era urgente, não se tinha tempo hábil para iniciar processo licitatório" afirmou Clarisse.

Segundo ela, em geral, muitos procedimentos licitatórios não eram seguidos à risca. A funcionária confirmou que, em vários casos, empresas eram contratadas e pagas, para, somente após, ser formalizada a licitação. As operações teriam sido feitas com o conhecimento dos então gerente de logística Matusalém Alves, da diretora financeira Georgia Ferreira e do presidente André Imar Kulczynski.

No momento que chegava em mim e diziam que não havia tempo hábil, eu me eximia de realizar os trâmites. Quem fazia isso era a Adriana Boniatti" relatou, mencionando o nome da ex-assessora de projetos especiais.

Questionada pelo vereador Clàudio Janta sobre os motivos de não ter denunciado a situação, a depoente relatou ter se sentido ameaçada. Segundo ela, a pressão vinha do ex-gerente Matusalém Alves:

Ele dizia que tinha que ser feito e que o presidente não iria tolerar falhas. Muitas vezes disseram que eu estava ali para cumprir ordens e não para questionar" afirmou.

O vereador Clàudio Janta (SDD) frisou que o depoimento denota mais uma vez o estado de "caos e de terror" instalado entre os funcionários da companhia e destacou que, diferente de muitos funcionários de cargos de comissão (CCs) envolvidos nas investigações, os funcionários efetivos da companhia sempre se mostraram solícitos em contribuir com a CPI.

Fica bem clara a situação de insegurança instalada na companhia. Isso reforça o grau de poder que possuíam esses CCs dentro da Procempa, a ponto de intimidar funcionários concursados, estáveis da companhia" avaliou o vereador.

O segundo depoente da manhã foi o ex-supervisor de contabilidade da Procempa, Paulo Majolo. Apesar de afirmar não possuir filiação partidária, Majolo é o responsável pela contabilidade do PTB e foi indicado pelo partido para assumir o cargo na Procempa.

Segundo ele, suas atividades na companhia se resumiam a adequação técnica, sendo as responsabilidades atribuídas ao ex-gerente financeiro Ayrton Fernandes.

Seria impossível a contabilidade conferir todas as notas que chegam lá. A contabilidade recebe o produto pronto e a função dela é registrar e atender uma parte legal, que diz respeito à legislação fiscal" afirmou.

Questionado pelo vereador Clàudio Janta a respeito de como teria começado seu vínculo com a Procempa e com o PTB, o depoente afirmou não se recordar. Também estavam previstos os depoimentos de João Antônio Pilla Dias e Gilmar Vivian, que não compareceram à reunião.

Texto: Andréia Sarmanho (reg. prof. 15.592)

Fotos: Cintia Rodrigues

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