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CPI: Representante dos Trabalhadores da Procempa revela irregularidades

Em depoimento à CPI da Procempa nesta quarta-feira (25/9), o coordenador da Comissão de Trabalhadores da companhia, Luiz Carlos Pachaly, respondeu aos questionamentos da comissão e revelou que no período investigado na sindicância da qual fez parte, foi detectado que dos R$ 2,7 milhões em pagamentos feitos a fornecedores, apenas R$ 911 mil possuem notas fiscais.

CPI da Procempa ouve Pachaly
Em depoimento à CPI da Procempa nesta quarta-feira (25/9), o coordenador da Comissão de Trabalhadores da companhia, Luiz Carlos Pachaly, respondeu aos questionamentos da comissão e revelou que no período investigado na sindicância da qual fez parte, foi detectado que dos R$ 2,7 milhões em pagamentos feitos a fornecedores, apenas R$ 911 mil possuem notas fiscais.

Pachaly, que é funcionário de carreira da empresa há 36 anos, disse que o trabalho de investigação ficou comprometido porque processos referentes aos anos de 2009 e 2010 sumiram. Acrescentou que hoje, três meses após a conclusão da investigação, ainda não tem o relatório de conclusão da sindicância.

O que sabemos é o que sai na imprensa. Os trabalhadores não podem ser responsabilizados pelo que fizeram na empresa. Não temos nada a esconder."

Quanto a notas frias descobertas durante a investigação da qual participou, citou como exemplo a empresa Pilatel, contratada pela Procempa para instalação de fibras óticas (setor no qual Pachaly trabalha). "Muitas das notas eram de serviços já executados", demonstrando duplicidade de pagamentos por um mesmo serviço. Tais pagamentos, segundo ele, não passaram pelo aceite da área técnica e eram autorizados pela então diretora administrativa, Giórgia Ferreira.

O importante, pelo que levantamos na investigação, é que o modus operandi é o mesmo: todas as notas frias são de serviços que já tinham sido executados"

Conforme o funcionário, os trabalhadores nunca conseguiram ver irregularidades administrativas antes de o escândalo sair na imprensa. "Apenas questionávamos contratos considerados estranhos." Em 2011, disse ele, tentaram contratar empresa terceirizada na empresa, e os funcionários foram contra.

Queriam iniciar por ali a privatização da companhia. Não tenho dúvida que pretendiam privatizar a empresa, sucateando a atividade-fim da empresa (desenvolvimento de sistemas) e valorizando a Infovia, que é o filé da Procempa."

Conforme ele, enquanto se via a infovia crescer, a área de desenvolvimento estava parando. "A orientação do Imar (André Imar Kulczynski, ex-presidente da Procempa) era para que as secretarias do município comprassem sistemas de empresas de fora", revelou.

AFP, festas e máquina de dinheiro

Sobre os repasses feitos à Associação dos Funcionários da Procempa (AFP), explicou que há duas vias de transferência de recursos para a entidade: através de contribuição dos funcionários, descontada em folha de pagamento; e através de repasses diretos da empresa para a AFP. Sobre este último tipo de repasse, observou que a sindicância que ele integrou recomendou o cancelamento do convênio por falta de controle no uso do dinheiro repassado. "Não se sabe como tal dinheiro foi gasto."

Pachaly confirmou a realização de festas organizadas pela empresa, mas salientou que os funcionários pagavam por elas valores que variavam de R$ 50,00 a R$ 70,00. Conforme ele, cada festa costumava reunir cerca de 400 pessoas. O funcionário explicou, porém, que de 400 convidados, cerca de 150 não eram trabalhadores da Procempa e entravam por cortesia. Pelo que sabe, Pachaly disse que as festas eram bancadas com verbas da Procempa e de doações de fornecedores da empresa. Em troca, a AFP fornecia convites cortesia para a Procempa, que os distribuía a convidados.

O dinheiro enviado pela Procempa à AFP era acertado de boca entre as partes."

Quanto à máquina de dinheiro comprada pela empresa, disse que a única vez que a viu foi em uma foto publicada na imprensa. Questionado sobre a necessidade de a Procempa adquirir a máquina, respondeu que não "tem a menor razão" para a compra. Para ele, o movimento no restaurante também não justifica a aquisição. "Devem ser servidos 300 almoços no local, a maioria paga com tíquete-refeição."

Obras e demissões

Pachaly explicou que funcionários de carreira como ele estranham também os custos de obras contratadas pela Procempa. O funcionário considerou exagerado também o custo para serviços de realização de layouts por empresas terceirizadas.

Acho um absurdo que o anexo ao restaurante, um puxadinho, tenha custado R$ 330 mil. A torre, cuja obra está parada, está orçada em R$ 750 mil."

Das 68 demissões anunciadas pelo atual presidente Maurício Gomes da Cunha, em depoimento à CPI, Pachaly afirmou que nenhuma tem relação com as investigações. "São estagiários, que foram demitidos por pressão dos funcionários contrários à precarização dos serviços, e trabalhadores terceirizados que não se sabia onde trabalhavam. As demissões não têm nada a ver com as investigações."

Texto Marco Aurélio Marocco (CMPA)

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