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Funcionária da Procempa esclarece irregularidades e empresário se cala

Na reunião desta quarta-feira (9/10), a CPI da Procempa recebeu a supervisora de Tesouraria e Finanças da Procempa, Janete Teresinha Eccel, que revelou tramitações "fora do padrão" dentre pagamentos realizados pela companhia. O segundo depoente, Alcides Guimarães, proprietário de uma das empresas apontadas entre processos irregulares, preferiu não se manifestar.

Procempa: Irregularidades à tona
Na reunião desta quarta-feira (9/10), a CPI da Procempa recebeu a supervisora de Tesouraria e Finanças da Procempa, Janete Teresinha Eccel, que revelou tramitações "fora do padrão" dentre pagamentos realizados pela companhia. O segundo depoente, Alcides Guimarães, proprietário de uma das empresas apontadas entre processos irregulares, preferiu não se manifestar.

A primeira depoente da reunião foi a funcionária da Procempa, Janete Teresinha Eccel, supervisora de tesouraria e finanças da companhia. Ela explicou que nos processos de tramitação para a contratação de prestação de serviços, o setor de contratos recebe a nota e encaminha ao setor financeiro, mas que, sobretudo no período entre o final de 2011 e início de 2012, houve uma explosão de processos que fugiam do padrão, autorizados pelo gerente financeiro da companhia, Ayrton Gomes Fernandes.

Ele disse que eu era paga para executar o meu trabalho e não para ficar questionando" afirmou Janete, sobre o gerente, seu superior imediato.

Em um destes processos, foram pagos R$ 450 mil a três empresas, sendo uma delas a AMG Marcenaria, lançados no fluxo de caixa com rubrica de férias.

Eu não coloquei como rubrica de férias, eu coloquei o nome das empresas, só que não tinha processo, não tinha nota fiscal, não tinha mais nada" relatou a funcionária, que afirmou ter ficado abalada com o fato, chegando a buscar auxílio psiquiátrico.

A depoente comentou ainda a compra de dois aparelhos celulares com a verba de contingência, o "caixinha" da empresa, destinado a pequenas despesas da companhia. Segundo Janete, a compra foi feita pelo seu substituto direto, João Carlos Feijó.

Quando retornei, ele havia saído de férias e havia recibo de adiantamento e nota de compra de dois celulares, que ninguém sabia explicar para quem eram" contou.

A responsável pela tesouraria confirmou ainda que os recursos utilizados para a compra da máquina de contar dinheiro também foram retirados do caixa, mas sem a discriminação do item. A informação é de que se trataria de "materiais para uso financeiro", com autorização da compra pelo gerente financeiro Ayrton Gomes Fernandes e pela diretora administrativa Giorgia Pires Ferreira.

Questionada pelo vereador Clàudio Janta, a supervisora explicou ainda que todos os pagamentos são realizados pela companhia com crédito em conta, para a pessoa jurídica.

Uma empresa do porte da Procempa, não tem necessidade de uma máquina de contar dinheiro. Eu, com a minha experiência, digo que não há necessidade, nem no restaurante. Eu sempre paguei a minha refeição com o ticket" acrescentou.

Segundo Janete, seriam ainda necessárias aos pagamentos as assinaturas do diretor administrativo e do diretor presidente. Contudo, em várias ocasiões, segunda a depoente, documentos foram pagos com apenas uma assinatura.

Proprietário da AMG se cala

O segundo depoimento seria prestado pelo empresário Alcides Guimarães, proprietário da AMG Marcenaria. Sentado ao lado de seu advogado, ele limitou-se a se identificar ao microfone e comunicar a decisão de não responder aos questionamentos dos parlamentares.

Ainda assim, os vereadores publicizaram as questões referentes à relação da empresa com a Procempa, principalmente sobre o caso da duplicidade de pagamentos relacionados a mobiliário e estruturas. Em seus questionamentos, o vereador Clàudio Janta lembrou os levantamentos que indicam que os serviços de confecção de mobiliário, no total de R$ 229,4 mil, e de estrutura para sustentação de "vidiowall", de R$ 234 mil, pagos à AMG, supostamente já teriam sido realizados, respectivamente, pelas empresas Gion e Suta, conforme notas levantadas.


Texto: Andréia Sarmanho (reg. prof. 15.592)
Foto: Cintia Rodrigues

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